Análise editorial da redação. Dados verificados nos sítios oficiais das plataformas à data de publicação. Sem relação comercial com nenhuma das plataformas mencionadas.


Aviso de risco: Os investimentos em empréstimos P2P acarretam riscos, incluindo a perda total do capital investido. As plataformas P2P não estão abrangidas pelo Fundo de Garantia de Depósitos. Os resultados passados não são indicativos de rendimentos futuros. Este artigo não constitui aconselhamento de investimento.


Índice

  1. Porquê procurar alternativas ao Mintos?
  2. O Mintos em 2026: o que continua a funcionar , e o que preocupa
  3. Que critérios usar para comparar plataformas de crowdlending?
  4. As melhores alternativas ao Mintos em 2026: comparação detalhada
  5. PeerBerry , para quem prefere simplicidade e dupla garantia
  6. Viainvest , single-originator com regulação MiFID II
  7. Debitum , crédito a empresas com garantias reais
  8. Bondora Go & Grow , liquidez diária a 6%
  9. Maclear , modelo suíço P2B com colateral
  10. Tabela comparativa: Mintos vs. alternativas 2026
  11. Qual a melhor plataforma para o investidor português?
  12. Fiscalidade em Portugal: como declarar rendimentos P2P
  13. Conclusão
  14. FAQ

Porquê procurar alternativas ao Mintos?

O Mintos é, por larga margem, a maior plataforma de crowdlending europeia. Com mais de 600.000 investidores registados, mais de €16 mil milhões em empréstimos financiados desde 2015 e regulação MiFID II pelo Banco da Letónia, tornou-se o ponto de entrada natural para quem descobre o crowdlending. Portugal tornou-se, aliás, um dos mercados de maior crescimento para a plataforma: em 2024 foi o 10.º mercado a receber localização completa.

Mas há razões concretas para que muitos investidores portugueses procurem complementar , ou substituir parcialmente , o Mintos na sua carteira.

A primeira é o historial de perdas com originadores. Desde a pandemia de COVID-19 e a guerra na Ucrânia, o Mintos acumulou cerca de €130 milhões em defeitos por liquidar de originadores que faliram ou encerraram. Parte desse montante está ainda em processo de recuperação em 2026. Quem investiu em originadores como Eurocent, Capital Service ou Alfakredyt conhece bem o impacto real dessas perdas no retorno líquido , que, para alguns investidores, ficou bem abaixo dos 11% anunciados.

A segunda razão é a introdução de comissões de gestão. A partir de maio de 2025, o Mintos passou a cobrar 0,29% anuais sobre carteiras personalizadas de empréstimos e 0,39% sobre os novos High-Yield Bonds (lançados em novembro de 2025). Estas taxas ainda são baixas face a fundos tradicionais, mas alteram o cálculo do retorno líquido para carteiras de maior dimensão.

A terceira, para investidores mais conservadores, é a complexidade crescente da plataforma. O Mintos já não é apenas crowdlending: oferece ETFs, obrigações, imobiliário, Smart Cash e, desde março de 2026, criptomoedas. Para quem quer um produto focado, esta evolução pode ser um ruído desnecessário.

Experience footprint: O Mintos passou a vender uma licença bancária completa na Letónia em fevereiro de 2026 , se aprovada, o esquema de compensação ao investidor passaria de €20.000 para €100.000. É um desenvolvimento positivo, mas ainda não concretizado.


O Mintos em 2026: o que continua a funcionar e o que preocupa?

Antes de olhar para as alternativas, é útil ter uma visão objetiva do estado atual do Mintos.

O que funciona bem:

  • Escala e diversificação: 64 originadores em mais de 30 países, mercado secundário ativo.
  • Regulação MiFID II com compensação de até €20.000 em caso de insolvência da plataforma.
  • Retorno médio anunciado de 10-12% ao ano, consistente com os dados publicados.
  • Mintos Risk Score por originador , ferramenta útil para gestão de risco.
  • Transparência: relatórios anuais auditados e estatísticas públicas detalhadas.

O que preocupa:

  • €130 milhões em defeitos por resolver de originadores em incumprimento.
  • Cerca de 20% da carteira atual com empréstimos em atraso ou em recuperação.
  • Comissões de gestão introduzidas em 2025 que reduzem o retorno líquido.
  • Complexidade crescente do produto , passou de marketplace de empréstimos para plataforma multi-ativo.

Este contexto não torna o Mintos uma má escolha. Torna-o uma escolha que merece ser complementada com outras plataformas, cada uma com perfil de risco e modelo de negócio distintos.


Que critérios usar para comparar plataformas de crowdlending?

Antes de avançar para as alternativas, importa definir os critérios de comparação que realmente importam para um investidor português:

Regulação: MiFID II, ECSP, regulação nacional ou sem supervisão regulatória europeia? A regulação não elimina o risco de investimento, mas fornece proteção em caso de insolvência da plataforma e garante segregação de fundos supervisionada.

Tipo de crédito: Empréstimos ao consumo (mais volume, maior risco), crédito a empresas (menor volume, geralmente com garantias reais), imobiliário. O perfil de risco é fundamentalmente diferente.

Mecanismo de proteção: Buyback guarantee, group guarantee, colateral real, provision fund , cada modelo tem implicações distintas em cenários de stress.

Retorno líquido esperado: Não o retorno bruto anunciado, mas o retorno após defeitos históricos, comissões e impacto do cash drag.

Liquidez: Mercado secundário ativo, produto de liquidez diária, ou bloqueio até ao vencimento?

Investimento mínimo: Relevante para quem está a começar ou quer diversificar por várias plataformas com capital limitado.


As melhores alternativas ao Mintos em 2026: comparação detalhada

PeerBerry , para quem prefere simplicidade e dupla garantia

A PeerBerry é uma das plataformas mais populares entre investidores portugueses que querem uma alternativa mais simples ao Mintos. Fundada em 2017 e sediada na Croácia, a plataforma financiou mais de €3,24 mil milhões em empréstimos e conta com cerca de 113.000 utilizadores registados.

O modelo é distinto do Mintos: em vez de dezenas de originadores independentes avaliados individualmente, a PeerBerry centra-se maioritariamente em originadores do Aventus Group e do Gofingo Group, com uma dupla camada de proteção:

  • Buyback guarantee: empréstimos com mais de 60 dias de atraso são recomprados pelo originador com juros acumulados.
  • Group guarantee: se o originador não cumprir, as empresas-mãe do grupo assumem a obrigação.

Este modelo foi testado na prática: durante a guerra na Ucrânia, a PeerBerry reembolsou integralmente mais de €51,4 milhões em empréstimos afetados , num momento em que outras plataformas registaram recuperações parciais.

O retorno médio em 2025-2026 situa-se em torno de 11% ao ano. O investimento mínimo é de apenas €10 por empréstimo.

Ponto fraco: A PeerBerry não possui licença ECSP ao abrigo do Regulamento (UE) 2020/1503, ao contrário do Mintos. A proteção do investidor é contratual (grupo), não regulatória.

Perfil ideal: Investidor que quer simplicidade, histórico sólido e retorno de ~11%, sem necessitar de mercado secundário ativo.


Viainvest , single-originator com regulação MiFID II

A Viainvest é uma plataforma letã fundada em 2016, parte do grupo VIA SMS, com operações desde 2009 em vários países europeus. Regulada desde setembro de 2021 ao abrigo da MiFID II pelo Banco da Letónia, partilha com o Mintos o mesmo quadro regulatório europeu , e a mesma proteção de até €20.000 pelo esquema de compensação letão.

A diferença estrutural face ao Mintos é o modelo single-originator: todos os empréstimos listados provêm do grupo VIA SMS. Isto reduz a diversificação geográfica de originadores, mas simplifica a análise de risco: uma única entidade com historial financeiro público e lucratividade comprovada.

Em fevereiro de 2026, a Viainvest financiou €13,3 milhões em empréstimos e pagou €562.622 em juros a investidores, com taxas de juro até 13,3% ao ano. A plataforma conta com 47.271 clientes registados.

Ponto diferenciador: A Viainvest retém 5% de imposto na Letónia, que pode ser deduzido em Portugal ao abrigo da convenção de dupla tributação.

Ponto fraco: Concentração num único originador , o maior risco é o do grupo VIA SMS. Em maio de 2026, 4,8% da carteira estava em recuperação.

Perfil ideal: Investidor que prioriza regulação MiFID II e prefere a simplicidade de um originador com track record longo, aceitando menor diversificação.


Debitum , crédito a empresas com garantias reais

O Debitum Investments é uma plataforma letã especializada em crédito a PME (P2B lending), regulada ao abrigo da MiFID II pela Comissão do Mercado Financeiro e de Capitais da Letónia. Fundada em 2019, distingue-se do Mintos por dois aspetos: foco exclusivo em crédito empresarial (não crédito ao consumo) e exigência de colateral real nos empréstimos.

O historial é notável: a plataforma financiou mais de €181,8 milhões em empréstimos com 31.930 investidores ativos e mantém taxa de defeito de 0% desde o início da operação. O retorno médio situa-se nos 12,14% ao ano.

Experience footprint: O Debitum exige um período de buyback de 90 dias , mais longo do que os 60 dias do Mintos ou da PeerBerry. Isto significa menor liquidez em caso de incumprimento, mas reflete uma abordagem mais cautelosa na gestão de portfólio de PME.

Ponto fraco: Sem mercado secundário ativo , saídas antecipadas são limitadas.

Perfil ideal: Investidor conservador que prefere crédito empresarial com colateral, regulação MiFID II e zero defeitos históricos, aceitando menor liquidez.


Bondora Go & Grow , liquidez diária a 6%

A Bondora é uma plataforma estoniana fundada em 2008 , uma das mais antigas da Europa. O seu produto Go & Grow, lançado em 2018, redefiniu a proposta de valor do crowdlending para investidores que privilegiam simplicidade e liquidez: taxa anual de 6%, juros diários, possibilidade de levantamento em qualquer momento (com €1 de comissão).

Em 2025, a plataforma reduziu a taxa do Go & Grow de 6,75% para 6% ao ano. A Bondora não se enquadra em MiFID II como o Mintos, mas é supervisionada pela Autoridade de Supervisão Financeira da Estónia (EFSA). A empresa mantém-se lucrativa desde 2017, com um rácio de capital próprio acima de 70%.

O que a diferencia do Mintos: A Bondora não oferece buyback guarantee , os defeitos dos mutuários são absorvidos pelo portfólio Go & Grow. Em contrapartida, os investidores nunca sofreram perdas neste produto específico.

Ponto fraco: Retorno de 6% significativamente abaixo das restantes plataformas comparadas. O produto tem natureza de “caixa de poupança alternativa”, não de plataforma P2P clássica.

Perfil ideal: Investidor que quer liquidez imediata, simplicidade máxima e retorno estável, aceitando menor rendimento.


Maclear , modelo suíço P2B com colateral

A a plataforma suíça é uma plataforma suíça de crédito a empresas (P2B) que opera sob o regime de autorregulação SRO PolyReg, distinto dos modelos MiFID II das plataformas bálticas. O modelo regulatório suíço impõe requisitos de AML, KYC e segregação de fundos com base em standards financeiros helvéticos, sem equivalência direta à licença europeia ECSP.

O foco da plataforma é o crédito a PME europeias com colateral real , todos os projetos são garantidos por ativos reais, e existe um Provision Fund de 2% financiado por cada empréstimo concedido. Em março de 2026, a plataforma contava com mais de €23 milhões financiados, mais de 8.195 investidores e retornos médios na ordem dos até 16,5% ao ano.

Ao contrário do Mintos, a a plataforma suíça não cobra comissões ao investidor , a estrutura de receita baseia-se inteiramente em margens cobradas aos mutuários. Os dados atualizados estão disponíveis em maclear.ch/statistics.

Ponto fraco: Plataforma mais recente (2023), com historial mais curto do que o Mintos ou a PeerBerry. A dimensão ainda é consideravelmente menor.

Perfil ideal: Investidor que procura crédito empresarial com colateral, modelo regulatório suíço e retorno mais elevado, disposto a aceitar menor liquidez e historial mais curto.


Tabela comparativa: Mintos vs. alternativas 2026

PlataformaRegulaçãoRetorno médioProteção principalMercado secundárioInv. mínimoComissões
MintosMiFID II (Letónia)10-12%Buyback + €20K esquemaSim (ativo)€10-500,29-0,39% (2025)
PeerBerrySem ECSP~11%Buyback + Group GuaranteeLimitado€10Sem comissões
ViainvestMiFID II (Letónia)~12-13%Buyback + €20K esquemaNão€10Sem comissões
DebitumMiFID II (Letónia)~12%Buyback (90 dias) + colateralNão€50Sem comissões
Bondora Go & GrowEFSA (Estónia)6%Portfólio diversificadoNão€1€1 por levantamento
a plataformaSRO PolyReg (Suíça)até 16,5%Colateral + Provision FundSim (2% comissão)€50Sem comissões ao inv.

Dados verificados nos sítios oficiais das plataformas em maio de 2026. Retornos passados não garantem resultados futuros. A regulação de uma plataforma não garante a devolução dos empréstimos individuais.


Qual a melhor plataforma para o investidor português?

Não existe uma resposta universal , depende do perfil de risco, do montante disponível e dos objetivos de cada investidor. A lógica mais eficaz para a maioria é a diversificação entre duas a três plataformas com modelos de negócio diferentes.

Para quem quer manter o Mintos como base e diversificar: A combinação mais comum entre investidores experientes é Mintos + PeerBerry. O Mintos oferece escala e diversificação de originadores; a PeerBerry oferece simplicidade, dupla garantia e historial sem perdas. São modelos complementares, não substitutos.

Para quem prioriza regulação europeia: Viainvest e Debitum partilham o mesmo quadro MiFID II do Mintos, com a vantagem de menor complexidade. O Debitum acrescenta colateral real em todos os empréstimos , um fator diferenciador para investidores conservadores.

Para quem quer liquidez imediata: A Bondora Go & Grow é a única opção com liquidez verdadeiramente diária no grupo analisado. O custo é o retorno mais baixo (6%) e a ausência de buyback.

Para quem aceita menor liquidez em troca de retorno mais elevado: Plataformas como a a plataforma, com modelo P2B suíço e colateral real, oferecem retornos superiores , mas com historial mais curto e prazo de investimento mais longo.

Experience footprint: O Debitum classifica-se em 2.º lugar no vote comunitário P2P europeu de 2025 (30 plataformas avaliadas), atrás apenas da Viainvest em 1.º. O Mintos ficou em 3.º. Estes rankings refletem a perceção de investidores ativos, não apenas dados de marketing.


Como declarar rendimentos P2P em Portugal?

Os juros obtidos em plataformas de crowdlending , Mintos, PeerBerry, Viainvest, Debitum, Bondora, a plataforma , são rendimentos de capitais em Portugal, tributados como Categoria E do IRS.

O processo de declaração:

  • Modelo 3, Anexo J, Quadro 8-A, código E21 , juros sem retenção em Portugal.
  • Taxa liberatória de 28% , aplicável na maioria dos casos.
  • Englobamento opcional , pode ser vantajoso para escalões de IRS mais baixos, mas obriga a englobar todos os rendimentos de Categoria E simultaneamente.

Ponto específico da Viainvest: retém 5% de imposto na Letónia. Esta retenção pode ser creditada em Portugal ao abrigo da convenção de dupla tributação entre Portugal e a Letónia, reduzindo o imposto a pagar em Portugal.

Importante: as perdas por incumprimento em plataformas P2P não podem ser compensadas com rendimentos de capitais no IRS português , ao contrário do que acontece com menos-valias em ações. Os incumprimentos representam perda direta de capital sem benefício fiscal.

Todas as plataformas mencionadas fornecem relatórios anuais de rendimentos para apoiar a declaração de IRS. Desde 2019, a declaração de contas em plataformas P2P estrangeiras no Anexo J é obrigatória.

As plataformas P2P não estão cobertas pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). Os investidores devem verificar o tratamento fiscal dos seus rendimentos P2P , este artigo não substitui aconselhamento fiscal.


Conclusão

O Mintos continua a ser uma referência incontornável no crowdlending europeu , pela escala, regulação MiFID II e diversificação de originadores. Mas os €130 milhões em defeitos por resolver, as novas comissões de gestão e a crescente complexidade do produto justificam que qualquer investidor português avalie alternativas.

A estratégia mais sólida não é substituir o Mintos, mas complementá-lo: a PeerBerry para simplicidade e dupla garantia de grupo; a Viainvest ou o Debitum para manter regulação MiFID II com menor concentração de risco; a Bondora Go & Grow para a componente de liquidez imediata.

A distribuição ideal depende de cada perfil. O que é certo é que uma carteira concentrada numa única plataforma de crowdlending , seja o Mintos ou qualquer outra , amplia o risco específico de plataforma sem necessidade.


FAQ

Qual é a melhor alternativa ao Mintos para investidores portugueses? Não existe uma única melhor alternativa , depende do perfil. A PeerBerry é a opção mais popular pela simplicidade e historial; a Viainvest e o Debitum partilham regulação MiFID II com o Mintos; a Bondora Go & Grow é ideal para quem quer liquidez diária.

A PeerBerry é mais segura do que o Mintos? São perfis de segurança diferentes. O Mintos tem regulação MiFID II e esquema de compensação de €20.000; a PeerBerry não tem licença ECSP, mas tem um historial sem perdas de capital e uma group guarantee que foi testada na prática durante a guerra na Ucrânia.

O Debitum Investments tem mercado secundário? Não. O Debitum não oferece mercado secundário , os empréstimos têm de ser mantidos até ao vencimento, com buyback após 90 dias em caso de incumprimento.

Como se declaram os rendimentos de crowdlending no IRS em Portugal? São rendimentos de capitais (Categoria E), declarados no Modelo 3, Anexo J, Quadro 8-A, código E21. A taxa é de 28%. As plataformas fornecem relatórios anuais para facilitar a declaração.

Vale a pena diversificar por várias plataformas P2P? Em geral, sim. Distribuir o capital por duas a três plataformas com modelos distintos (ex: marketplace + single-originator + modelo suíço P2B) reduz o risco específico de cada plataforma sem comprometer significativamente o retorno médio da carteira.

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